O interesse dos brasileiros por medicamentos para perda de peso ultrapassou, pela primeira vez, o das dietas tradicionais. Dados do Google Trends mostram que, em 2024, as buscas por “remédio para emagrecer” cresceram 80% no país, superando o termo “dieta para emagrecer”. O movimento reflete uma mudança cultural e foi impulsionado pelo boom das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
A tendência se intensificou em agosto de 2025, com o lançamento do Olire, primeira caneta nacional à base de liraglutida. Apenas na semana seguinte, as buscas pelo princípio ativo dispararam 1.100%, segundo o Estado de Minas. O crescimento digital acompanhou o avanço nas farmácias: em várias capitais, filas se formaram em busca da novidade, já apelidada de “Ozempic brasileiro”.
No cenário internacional, o Brasil se consolidou como um dos países mais interessados nesses fármacos: ocupa hoje o 4º lugar mundial em buscas pela tirzepatida, presente no Mounjaro, e o 8º em relação à semaglutida, princípio ativo do Ozempic. Especialistas avaliam que, ao substituir dietas e treinos por soluções farmacológicas, a população projeta nas canetas emagrecedoras a promessa de resultados rápidos, um fenômeno que levanta debates sobre acesso, saúde pública e medicalização do emagrecimento.


