Um estudo recente publicado no Journal of the American Heart Association indica que pessoas que naturalmente dormem e acordam mais tarde, os chamados “notívagos”, tendem a apresentar piores indicadores de saúde cardiovascular do que aquelas com horários mais tradicionais de sono. A pesquisa, baseada em dados de quase 323 mil adultos do UK Biobank, revelou que esse risco é ainda mais acentuado entre as mulheres. Segundo os autores, indivíduos com predisposição noturno tiveram uma prevalência 79% maior de saúde cardíaca considerada ruim e um risco 16% superior de sofrer infarto ou AVC ao longo de um acompanhamento médio de 14 anos.
Os pesquisadores avaliaram os participantes a partir dos chamados Life’s Essential 8, métricas da Associação Americana do Coração que incluem qualidade do sono, alimentação, atividade física, peso, colesterol, pressão arterial, glicemia e tabagismo. A pontuação média geral foi de 67,4 em uma escala de zero a 100, com as mulheres apresentando resultados melhores do que os homens. Para o autor principal do estudo, o pesquisador Sina Kianersi, o problema não está apenas no cronotipo, predisposição genética que define o ritmo biológico de cada um, em si, mas no conjunto de hábitos associados ao estilo de vida noturno, que acaba comprometendo a saúde cardiovascular ao longo do tempo.
Apesar dos dados preocupantes, os especialistas ressaltam que os riscos podem ser reduzidos com a adoção de comportamentos saudáveis, como manter uma rotina regular de sono, praticar atividade física e cuidar da alimentação. Desde 2022, a Associação Americana do Coração passou a incluir o sono entre os pilares da saúde cardiovascular, recomendando de sete a nove horas de descanso por noite. Segundo a médica Maha Alattar, especialista em medicina do sono, dormir bem é fundamental para processos de regeneração do organismo, e a privação crônica de sono pode elevar hormônios do estresse, como o cortisol, contribuindo para o desenvolvimento de doenças cardíacas.


