Rede de apoio é fator-chave para a saúde mental materna

Redação àflordapele

bruna@bvcomunicacao.com.br

Em meio aos desafios do puerpério, especialistas reforçam que a saúde mental materna depende menos de esforço individual e mais da existência de uma rede de apoio efetiva. Embora o nascimento de um filho seja um evento social, muitas mulheres ainda enfrentam essa fase em isolamento, acumulando demandas físicas, emocionais e mentais. Para o psicólogo Eduardo Queiroz, o suporte comunitário, que inclui parceiros, familiares, amigos e profissionais de saúde, atua como um fator protetor essencial contra o estresse crônico, o burnout materno e a depressão pós-parto.

Segundo o especialista, o impacto da presença ou ausência desse apoio vai além do campo emocional e atinge diretamente o funcionamento biológico do organismo. “Quando uma mãe conta com uma rede de apoio efetiva e consegue ter momentos de descanso, observamos uma regulação imediata do corpo: os níveis de cortisol, hormônio do estresse, diminuem e dão lugar à oxitocina, ligada ao vínculo e ao bem-estar”, explica. Nesse contexto, o suporte social deixa de ser visto como ajuda eventual e passa a ser compreendido como um regulador fisiológico e psicológico da saúde materna.

A ausência dessa rede, por outro lado, intensifica sentimentos de solidão e inadequação, além de dificultar a identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico. A lógica contemporânea de maternidade individualizada contrasta com modelos coletivos de cuidado historicamente presentes em diversas culturas, nos quais a criação de uma criança é responsabilidade compartilhada pela comunidade.

Do ponto de vista da saúde pública, fortalecer vínculos comunitários e ampliar o apoio às mães é considerado uma estratégia relevante de prevenção. Grupos de apoio, participação ativa dos parceiros, acompanhamento profissional e espaços de escuta sem julgamento ajudam a reduzir o isolamento e a validar a identidade da mulher para além da maternidade. Para especialistas, reconhecer que cuidar de quem cuida é uma responsabilidade coletiva pode transformar não apenas a experiência da maternidade, mas também o bem-estar de toda a comunidade.

Compartilhe