Brasil volta ao mapa da baixa vacinação

Redação àflordapele

bruna@bvcomunicacao.com.br

Após apresentar avanços importantes nas coberturas vacinais em 2023, o Brasil sofreu um novo retrocesso em 2024 e voltou a integrar a lista dos países com maior número de crianças sem nenhuma dose de vacina. É o que revela o mais recente relatório conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado esta semana.

De acordo com o levantamento, o Brasil ocupa agora a 17ª posição no ranking global de crianças não vacinadas, com 229 mil meninas e meninos sem acesso à primeira dose da vacina DTP1, que protege contra difteria, tétano e coqueluche e é usada como referência para avaliar o acesso a imunizações básicas. Em 2023, esse número era de 103 mil.

O relatório mostra que o problema não é exclusivo do Brasil: globalmente, 14,3 milhões de crianças permanecem completamente sem imunização. Nenhuma das 17 vacinas avaliadas atingiu a meta mínima de 90% de cobertura, sinalizando um déficit global que ameaça o controle de doenças já conhecidas.

Apesar de alguns avanços, como o aumento da cobertura da vacina contra o HPV entre meninas elegíveis, que passou de 17% para 31%, a cobertura vacinal para doenças como o sarampo segue abaixo dos níveis anteriores à pandemia. A OMS reforça que quedas, mesmo pequenas, nas taxas de imunização podem gerar surtos graves e sobrecarregar os sistemas de saúde, especialmente em países com desigualdades regionais.

O retorno do Brasil ao grupo de países com alto número de crianças não vacinadas acende um alerta sobre a necessidade de reforçar campanhas, ampliar o acesso e combater a desinformação. A confiança da população nas vacinas, a logística de distribuição e o fortalecimento da atenção primária continuam sendo peças-chave para reverter esse cenário.

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