Brasil se despede de Preta Gil, símbolo da luta por inclusão e respeito à diversidade

Redação àflordapele

bruna@bvcomunicacao.com.br

Hoje, o silêncio é pesado. Mas também é fértil. Uma mulher que enfrentou o racismo, a gordofobia e a LGBTQIA+fobia de peito aberto, com a dignidade de quem sabe que ocupar espaço é, por si só, um ato político. Sua existência era resistência — e sua coragem, um espelho para tantas de nós que aprendemos a nos calar diante do preconceito.

Ela falava do que doía com verdade, e dançava sobre as feridas com a mesma intensidade. Preta não pedia licença: chegava com brilho, riso largo e peito aberto, trazendo em cada aparição pública a lembrança de que ser mulher — preta, gorda, queer — não é motivo de vergonha, é motivo de luta e orgulho.

Sua falta dói especialmente em nós, mulheres que tantas vezes fomos silenciadas, diminuídas, descartadas. Porque Preta dizia: “Não baixem a cabeça.” E, com ela, aprendemos a levantar o queixo, a amar nossos corpos, a nos afirmar com todas as letras. Ousava existir fora do padrão e, com isso, abriu caminho para que outras também ousassem.

Nos identificamos nela não só pelo que ela era, mas pelo que ela nos permitia ser: livres. Livres para dizer “não”, para dizer “sim”, para ocupar o centro do palco e da própria vida. Sua voz ecoava as dores e as delícias de ser mulher num mundo que insiste em nos apagar.

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