Ela apanhou 61 vezes. E poderia ter morrido em silêncio como 47% das mulheres no Brasil

Redação àflordapele

bruna@bvcomunicacao.com.br

O espancamento brutal cometido por Igor Cabral, de 29 anos, contra a namorada, dentro de um elevador em Natal (RN), no último sábado (26), expõe uma ferida profunda e muitas vezes invisível: o que antecede a violência física. O ex-jogador de basquete foi flagrado por câmeras agredindo a jovem com mais de 60 socos após ver mensagens em seu celular que teriam provocado ciúmes. Ele foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio, e a prisão foi convertida em preventiva.

Segundo a Polícia Civil, a vítima não havia registrado boletins de ocorrência anteriores. Isso não significa ausência de violência. Significa o que os dados já confirmam: a maioria das mulheres não denuncia.

Segundo a pesquisa “Visível e Invisível – A Vitimização de Mulheres no Brasil”, publicada em 2024 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 47% das mulheres que sofreram violência não tomaram nenhuma atitude: não denunciaram, não procuraram ajuda, não contaram a ninguém. nesse silêncio que a violência cresce.

“Por conta da grande incidência dos casos, o que também ocorre muitas vezes é que o poder público demora na apuração e essa mulher, diante do sistema de justiça, recua ou desmente o ocorrido”, explica Sara Gama, promotora de justiça do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero e em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid).

Violência silenciosa tem nome e tem consequências:

  • Humilhações constantes, ofensas disfarçadas de “brincadeira”;
  • Ciúmes doentio, com invasão de privacidade e vigilância;
  • Controle da rotina, das roupas, das amizades;
  • Isolamento da família, chantagens, ameaças veladas;
  • Dependência financeira forçada, onde a mulher perde autonomia.

Onde pedir ajuda:

  • Ligue 180 – Atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas.
  • DEAM – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.
  • CRAMs e Casas Abrigo – Apoio psicológico, jurídico e social.
  • Defensoria Pública, Ministério Público e redes comunitárias.

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