Médicos ainda priorizam remédios e terapia e deixam exercício fora do tratamento da depressão

Redação àflordapele

bruna@bvcomunicacao.com.br

Um editorial do British Journal of Sports Medicine reforça que o exercício físico deveria ser considerado a primeira linha de tratamento para a depressão. A prática libera serotonina e endorfinas, regula o humor, reduz o estresse e melhora a cognição, efeitos comparáveis aos de antidepressivos, com a vantagem de serem acessíveis e apresentarem apenas impactos positivos. Ainda assim, 92% dos profissionais de saúde mental não têm treinamento para prescrever atividades físicas e 41% nunca o fazem, mantendo a ênfase em medicamentos e sessões de terapia. O futuro, segundo especialistas, passa por protocolos como o FITT, que considera frequência, intensidade, tempo e tipo de treino, além do uso de aplicativos e dispositivos vestíveis para personalizar, monitorar e aumentar a adesão ao tratamento.

No Brasil, a realidade não é distante. Pesquisas da USP indicam que a maioria das faculdades de medicina não oferece disciplinas específicas sobre prescrição de atividade física, e médicos relatam falta de tempo e conhecimento como barreiras. O Ministério da Saúde recomenda a prática e mantém iniciativas comunitárias, como o Programa Academia da Saúde, mas os protocolos nacionais de cuidado à depressão ainda priorizam fármacos e psicoterapia, sem detalhar a prescrição de exercícios. Assim, apesar das evidências científicas e do incentivo governamental, persiste a lacuna entre teoria e prática clínica, deixando em segundo plano uma ferramenta poderosa, de baixo custo e com grande potencial terapêutico.

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