O Brasil começa a ocupar um lugar central no debate global sobre longevidade extrema. Estudos recentes com supercentenários brasileiros, pessoas que ultrapassaram os 110 anos, indicam que viver mais não depende apenas de acesso à medicina avançada ou de estilos de vida altamente controlados, mas de uma rara combinação de fatores biológicos ligados à resiliência do organismo. Pesquisa publicada em janeiro na revista Genomic Psychiatry, liderada pela geneticista Mayana Zatz, da USP, revela que famílias brasileiras longevas apresentam características genéticas e celulares capazes de sustentar o funcionamento do corpo por mais de um século.
A relevância do Brasil para a ciência do envelhecimento está na diversidade genética da sua população, formada por séculos de miscigenação. Ao analisar o DNA desses supercentenários, os pesquisadores identificaram milhões de variantes genéticas ausentes em bancos de dados internacionais, sugerindo a existência de mecanismos protetores pouco estudados. O país também chama atenção por concentrar alguns dos homens mais longevos já registrados, um dado que desafia padrões globais, já que a longevidade extrema masculina é considerada rara.
Mesmo não seguindo dietas rigorosas nem rotinas sofisticadas de saúde, ainda assim, esses indivíduos apresentam sistemas celulares e imunológicos surpreendentemente funcionais, capazes de lidar melhor com estresse, infecções e danos acumulados ao longo da vida. Para os cientistas, esses brasileiros mostram que a chave para envelhecer bem pode estar menos na busca por perfeição e mais na capacidade do corpo de se adaptar e resistir ao tempo.


