Por que as fibras viraram o nutriente da vez

Redação àflordapele

bruna@bvcomunicacao.com.br

Depois do auge das proteínas, um novo nutriente começa a ganhar protagonismo no discurso sobre saúde e alimentação: as fibras. Batizada de fibermaxxing, a tendência já acumula milhões de visualizações nas redes sociais e reflete o interesse crescente da geração Z pela saúde intestinal, associada não apenas à digestão, mas também a benefícios como melhora da pele, do foco cognitivo e do bem-estar geral. O movimento surge em um cenário preocupante: dados recentes indicam que 77% dos brasileiros consomem menos fibras do que o recomendado, patamar que chega a 90% nos Estados Unidos, evidenciando uma dieta pobre em vegetais, frutas e legumes.

O interesse renovado pelas fibras vai além do comportamento alimentar e encontra respaldo na ciência. Esses componentes dos carboidratos vegetais atravessam o trato digestivo sem serem totalmente digeridos, auxiliando o funcionamento intestinal e estimulando a produção natural do hormônio GLP-1, o mesmo envolvido em medicamentos para controle do apetite, como Ozempic e Mounjaro. Esse efeito ajuda a explicar por que as fibras passaram a ser vistas como aliadas estratégicas no controle do peso e da saúde metabólica.

O impacto da tendência já é visível no mercado. Produtos ricos em fibras e prebióticos se multiplicam nas prateleiras, e até a indústria de refrigerantes entrou no jogo. Movimentos recentes, como a compra da Poppi pela PepsiCo e da Simply Pop pela Coca-Cola, sinalizam que a fibra deixou de ser assunto restrito à nutrição clínica para se tornar um ativo econômico relevante. Se antes o foco estava em suplementos proteicos, agora o centro da conversa parece migrar para o intestino e para tudo o que ele influencia.

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